pequeno mapa do tempo

pequeno mapa do tempo

Depois de uma breve pausa, em que meu corpo me obrigou a parar um pouco por questões de saúde, tenho tentado reencontrar o que pode trazer mais sentido à minha rotina e, assim, eu resolvi mexer em algumas gavetas de memórias.

Às vezes, é comum ter dúvidas sobre quem somos ou o que mais gostamos de fazer: se perder faz parte da vida de quem gosta de explorar, descobrir coisas novas e criar. Nessa parte do caminho, nada melhor que um mapa pra orientar os próximos passos.

Por mais que você possa ter deixado de lado alguns dos seus hobbies, o que faz seu coração bater com mais alegria ou o que pode trazer mais leveza aos seus dias, provavelmente você lembra do que gostava de fazer quando era criança.

Quais hábitos a sua mini versão costumava colocar em prática no dia a dia? São aquelas coisinhas que a gente vai praticando diariamente que nos levam pra outros caminhos em nossa história, mesmo que isso às vezes passe despercebido.

O que faz parte da nossa essência não é somente o que demonstramos ser hoje nem o que almejamos para o futuro, mas principalmente a construção de tudo o que poderíamos ser, que começou a ser realizada lá na infância.

Tem dia que o medo de não conseguir fazer algo nos paralisa, mas podemos ter um pequeno mapa do tempo, nos guiando para onde ir, se olharmos para a nossa criança interior.

de volta ao quintal

Nos últimos dias da semana, tiveram vários dias de chuva, aqui em Fortaleza, e olhar esses pingos d’água dançando com o vento me leva de volta ao quintal de uma casa que marcou a minha infância.

Aquele quintal era o maior espaço da casa. Por lá, eu e meu sobrinho podíamos correr e tomar banho de chuva como se não houvesse mais nada acontecendo no mundo. Era como congelar o tempo.

Naquela época, a produtividade do dia era medida pelo número de risadas, tipos de brincadeiras, quantidade de passos dados, guloseimas compartilhadas, desenhos assistidos e novos aprendizados.

Certa vez, um amigo me disse que cada pessoa era como uma casa e que, ao se apresentar para outras, ela poderia decidir quais cômodos mostraria de acordo com a conexão. Penso que as coisas que remetem a quem realmente somos se encontram em nosso quintal.

Acho que o quintal onde a gente brincou é maior do que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade.

Manoel de Barros

viagem no tempo

Longe de ser apenas uma forma de ter nostalgia ao visitar o nosso passado, olhar com carinho para a criança que fomos é traçar percursos possíveis de sonhar, ser quem somos, viver e continuar aprendendo mais sobre o que pode servir como um potente combustível interior.

Já imaginou explorar um mapa do seu passado-presente-futuro e, com isso, descobrir mais sobre você e o que faz sentido estar na sua vida? Então vale pensar em quais coisas mais despertavam a sua curiosidade, o que fazia você passar horas com foco, o que te dava mais energia ou mais cansaço, e o que fazia o dia ser mais especial.

Aqueles sonhos ou habilidades que foram esquecidos, com o passar do tempo, podem reaparecer. Caso você não consiga lembrar de muita coisa, também pode perguntar para quem convivia com você.

Você tem uma gaveta, caixa ou pasta de memórias? Te convido a separar um tempo para revisitar esse lugar. Pequenos objetos podem contar histórias ao longo dos anos, mudando algumas perspectivas e nos ajudando a encontrar outras rotas com mais coragem.

Por aqui pretendo fazer mais caixas de recordações para guardar além dos registros fotográficos e, assim, desenhar possíveis trajetos para o futuro. E aí, que tal organizar o seu próprio pequeno mapa do tempo?

Obrigada por me acompanhar. Até logo mais!

menos busca por resultados, mais encontro com o caminho

menos busca por resultados, mais encontro com o caminho

Se você já deixou de fazer algo por medo de dar errado ou não se sentiu 100% para comemorar algum processo seu, porque tinha a ideia de que esse momento de celebração pertenceria somente à conclusão ou conquista de alguma situação, bem-vinda ao clube. Por muitas vezes, apesar de amar a criatividade e a soma de processos que ela gera, é comum ter receio de enfrentar algo incerto, com aquele pensamento de pensar no “e depois?”.

Isso tem muito a ver também com o medo da folha em branco. Até escrever o primeiro parágrafo, a primeira página, normalmente, vem aquele pensamento de que a mente está bloqueada, de que não vai dar certo, de que você não vai conseguir mesmo e, então, nem vale a pena tentar. E isso pode acontecer com qualquer pessoa, mas é preciso olhar com mais gentileza para o processo em vez de buscar apenas pelos resultados.

Apesar de a vida ter uma linha do tempo com um ponto de partida e chegada, qualquer outra certeza que possamos esboçar para além disso é algo ilusório. A gente não pode ter controle sobre tudo, e imagina que chato se pudesse? Então é válido exercitar o nosso olhar para as incertezas de uma forma mais leve (o que normalmente esquecemos de fazer quando nos envolvemos muito com as tarefas e as circunstâncias do dia a dia).

Essa pintura foi muito especial e gratificante pra mim, pois a fiz apenas com o intuito de colorir mais uma página do caderno, usando pastel oleoso e guache, sem me preocupar sobre como iria ficar. Já fazia um tempo que eu não aproveitava o processo de algo de uma forma tão tranquila, e foi divertido me permitir apenas testar os materiais que eu já tinha para aproveitar uma tarde de sábado. Foi um momento de descanso de qualidade também, pois acabei esquecendo de tudo ao redor e respirando com mais leveza por alguns minutos.

Valorize os seus processos

Por mais desafiadores que sejam alguns trajetos, você deve se permitir tentar, errar e admirar a vista. Até porque só é possível saber se a paisagem agrada e se você consegue ir até lá, se tiver a coragem de dar os seus primeiros passos, entendendo a sua vulnerabilidade, aceitando que pode falhar e que o caminho também merece ser contemplado para além dos acertos.

Alguns percursos são cheios de placas sinalizando atalhos ou melhores opções, enquanto outros seguem mais o estilo de “o caminho se aprende caminhando”, mas nem todos vão mostrar as respostas que você procura. Talvez você acabe encontrando mais perguntas ou uma mudança de rota, quem sabe? A jornada percorrida já é um resultado também.

Quando entrei para o processo de seleção do mestrado, o qual estou cursando agora, senti o medo de não dar certo em diversos momentos. O processo foi de agosto a dezembro de 2019, dividido em várias etapas. A cada vez que eu via meu nome na parte de pessoas aprovadas, em vez de comemorar que passei em mais uma, já focava na próxima etapa. Eu não me permiti parabenizar os meus esforços no meio do caminho por pensar que ainda era preciso enfrentar mais etapas até a “linha de chegada”, como se estivesse em uma maratona.

Em alguns momentos a gente não vai ter forças para reconhecer os nossos esforços e realizações. É totalmente normal passar por situações em que o cansaço fala mais alto do que a vontade de apreciar a vista, mas vale ter mais empatia consigo, separar um tempinho para si e acolher seus sentimentos em vez de carregar mais cobranças.

Confie mais em você do que no seu perfeccionismo

Às vezes a gente coloca tanta pressão para encontrar resultados perfeitos ou fazer algo da melhor forma, que negligenciamos quem somos, a nossa dedicação e a vontade de tentar, enxergando somente o que ainda nem aconteceu e as opiniões de outras pessoas em vez de aproveitar o momento presente, nossos aprendizados, os lugares já visitados e as bagagens que carregamos até aqui.

Como a Yasmin, da Flor de Mim, nos ensina sabiamente, “o perfeito não existe”, então em vez de deixar de fazer algo que faz bem a você pelo medo de não sair como imaginava nem gerar os resultados almejados, se permita tentar.

O Neil Gaiman também já deu um conselho valioso sobre isso: “A perfeição é como perseguir o horizonte. Continue andando.” Utilize seu repertório, seus hobbies, seus conhecimentos, seus sonhos, algo que faz bem a você, para se desenvolver e escrever a sua própria história, e não se diminuir ou se pressionar tanto em busca do inalcançável.

Afinal, o que é a perfeição que você busca? O que é considerado perfeito para alguns, não o é para outros, e sempre foi assim. Então vale tentar não usar mais os medidores de “perfeito” de outras pessoas para, assim, traçar os seus próximos passos da forma que você conseguir caminhar e se sentir bem, combinado?

O caminho se faz caminhando

A sua estratégia não precisa ser vinculada a um “bom” resultado, pode ser simplesmente tentar, fazer algo. Talvez você encontre os bons resultados que você deseja, sim, e até alívio em descobrir que o perfeccionismo não é necessário no meio do caminho, mas isso é uma consequência de caminhar, e não mais o principal objetivo. Pensar dessa forma talvez ajude naqueles momentos em que nos sentimentos travados por medos, vergonhas ou preocupações no geral.

Criar alguma coisa, dar os primeiros passos em um novo projeto ou ir em busca de realizar aqueles sonhos que trazemos conosco, muitas vezes, é um percurso desafiador por envolver partes tão nossas, mas é importante pensar que fazer o nosso melhor não é seguir um padrão idealizado por outros, mas dar o melhor que podemos nas condições atuais, e que o caminho se faz assim. Caminhando mesmo, porque é uma trilha, e não uma reta final.

Austin Kleon nos lembra da importância de fazer “arte ruim” ou “arte feia”: “Bom” pode ser uma palavra sufocante, uma palavra que faz você hesitar e olhar para uma página em branco e se questionar e jogar coisas no lixo. O importante é mexer as mãos e deixar que as imagens venham. Se é bom ou ruim, não vem ao caso. Apenas faça algo.” Nada é definitivo, então por que não tentar se divertir com as possibilidades que são desenhadas?

Fazer coisas sem tantas cobranças ou julgamentos é essencial para manter a criatividade (e ter mais leveza entre um desafio e outro). Uma das partes mais emocionantes da jornada é quando a gente começa a entender a importância de se libertar dos medidores de sucesso dos outros para sermos quem somos e não sentirmos mais a necessidade de nos explicar caso haja alguma mudança no caminho. Espero que você consiga se permitir tentar. Por aqui, também sigo caminhando. Coragem e força para nós!

Abraços, e fica bem.

legado de afetos

legado de afetos

o gosto por ouvir, contar, ler e escrever histórias,

a atenção por cada detalhe da música que está tocando,

a contemplação das cores do céu,

a alegria pelo simples virar da tapioca na panela,

a habilidade e o amor por trabalhar com linhas e cores,

o coração cheio de luz e compaixão,

os ouvidos atentos para ouvir o que está ao redor,

a paixão por plantas e o cuidado com a hora do plantio e da colheita,

o cheiro de ervas e flores,

a gratidão por degustar comidas saborosas com quem a gente ama,

a calma ao andar pela rua,

a importância dada às pequenas coisas do dia a dia,

a força para enfrentar as diversas situações ds vida,

o amor por chás naturais, medicinais e quentinhos,

a risada fácil que contagia todo o corpo,

a simplicidade de tecer histórias e afetos,

e o carinho no olhar e no abraço

são algumas das coisas que você ensinou a mim e a quem lhe conheceu, vó Mazé.

a sua partida foi há 18 anos, mas a sua presença continua florescendo e dando frutos por aqui.

obrigada por tudo. ❤️

no meio do caminho tinha a vida adulta

no meio do caminho tinha a vida adulta

Minha mãe sempre conta que eu chorava dizendo que não queria crescer quando ainda era criança. Sempre dá vontade de rir pelo jeito que ela narra a situação, mas eu realmente tinha medo de ser adulta quando olhava a situação das pessoas mais velhas ao meu redor. Isso porque elas quase nunca tinham tempo pra brincar, viviam de um lado para outro, sempre pareciam ter muitas coisas pra fazer e preocupações na cabeça, e eu não conseguia imaginar aquela vida pra mim.

Provavelmente a mini Priscilla tinha a síndrome do Peter Pan e não sabia, né, mas a verdade é que eu só queria aproveitar ao máximo a infância e não deixar nunca que os problemas ou as dificuldades fossem maiores do que a vida em si. Enfim, a realidade sempre aparece, e quando ela chegou de verdade, com as oito horas diárias (ou mais) de trabalho na rotina CLT, eu fiquei sem saber o que fazer, deixei hobbies pra trás e alguns pedaços de quem eu costumava ser também

Hoje tenho pensado sobre como as coisas vão tomando um rumo rápido e até incalculável enquanto a gente pensa o que pode fazer para que a caminhada seja mais leve. Afinal, qual foi a última vez que você se permitiu viver algo pela primeira vez? E o que mais você gostava de fazer na infância? Essas perguntas podem nos levar a lembranças afetivas ou até despertar novas possibilidades que estavam guardadas em nosso interior, gerando outros modos de ver não somente o que está por dentro, mas também o que nos rodeia.

Estou cada vez mais pertinho de completar 30 anos, e essa idade é vista por muitas pessoas como um período em que já é preciso ter mais estabilidade em diversos setores, o que já foi conversa para algumas sessões de terapia (alô, retorno de saturno). Porém, como encontrar resposta em um padrão generalizado se cada pessoa tem um repertório de experiências tão diferentes?

Viver é um caminho de infinitos aprendizados e descobertas: não há uma idade definida para “passar de fase” nem há o porquê de comparar o seu crescimento com o de outras pessoas, já que cada uma está trilhando o seu próprio caminho e só podemos ser melhores do que fomos antes. Não teria graça se fosse tudo igual.

Eu não sou como a Priscilla de 13 anos — que usava uma franja cobrindo os olhos, passava lápis preto sem se preocupar se ia borrar, desenhava na hora da aula, ouvia blink 182 de dia e fresno à noite etc. — queria ou imaginava, mas aqui estou eu, equilibrando alguns pratinhos entre o mestrado e a vida de freelancer em redação e produção de conteúdo, e também tentando perder o receio de compartilhar as coisas que escrevo, penso e sinto.

A vida é meio que isso, ela não acontece como a gente imagina, mas acaba rendendo bem mais do que a nossa imaginação, exatamente pelos imprevistos, pelo que está no meio do caminho, por nos levar para outros lugares e fazer com que a gente descubra mais sobre o nosso interior para que, assim, a caminhada continue.

Que não esqueçamos que, diante de tanto malabarismo, tarefas, deslocamentos, boletos (cringe) e outras questões, a vida adulta também é um lugar para lembrarmos de ser quem somos, sonhar, esboçar outras rotas, abraçar o que já passou, aprender mais e se permitir viver as surpresas, mudanças, incertezas e experiências que estão por vir.

Dançar entre ciclos e mudanças é entender que o caminho não é feito só de “andar pra frente” — e que dar alguns passos para trás também não é necessariamente deixar de ter avanços — mas de aprender mais sobre o que está ao redor e, especialmente, sobre o que está no interior (e aprender a olhar isso tudo com mais carinho e autocompaixão). A vida adulta não é um fim, mas um processo, que envolve recomeços e que está sempre em movimento.

E aí, vamos nos permitir recomeçar a cada manhã? Obrigada por me acompanhar por aqui!

Se cuida. 💗

mãe

passado-presente-futuro

Um dia na praia com minha mãe e a família
Ela sempre segurava minha mão com medo de eu me perder ou não saber nadar
Era mais seguro estar assim com ela
De repente ela puxou minhas duas mãos
E sem querer minhas pernas também subiram
Eu não sabia que isso era possível
Sempre tentava sentar com a coluna ereta, esquecendo que se divertir era melhor que ter postura
Então dei um grito, assustada, sem acreditar
O que poderia acontecer com minhas pernas abrindo assim?
Pareceu, por quase um segundo, que eu podia voar e chegar perto das nuvens que tanto admirava
Depois se torna engraçado, mas na hora foi mais como o susto de uma surpresa inesperada
Eu não fiz balé como minha mãe sonhava
E acabei perdendo um pouco da flexibilidade conforme fui crescendo
A gente se coloca tantas barreiras para ser mais adulta,
que esquece da graça de descobrir um mar de possibilidades no seu próprio corpo
Eu tinha um pouco de vergonha dele, talvez por isso não o conhecesse tanto
Isso foi em outubro de 1995, mas às vezes ainda é assim
e agora eu vejo que só queria sentir o gosto do vento salgado entre os dentes
e os pés experimentando as texturas entre o frio e o calor.

saudade pixelada

registro saudoso de janeiro de 2020, antes da pandemia

Entre tantas incertezas desses últimos meses, algo não deixa de brotar dentro do peito: a saudade do mar e de ficar mais pertinho da natureza. Sentar na areia pra admirar as ondas quebrando, enquanto o cabelo dança ao som do vento, é uma falta que tenho sentido mais a cada dia.

E então, revelar o filme da câmera analógica (que estava guardado há mais de um ano), com a Lab 8, e receber esses registros por e-mail foi como ganhar pequenos pixels de esperança em uma tarde – de lockdown – de domingo.

[para fazer essas fotos, usei a Olympus Trip 35 e o filme Kodak ColorPlus 200, na praia de Ponta Grossa, em Icapuí (CE)]:

essa foto me trouxe uma sensação tão boa: deu até pra ouvir o barulhinho que a água faz quando a gente caminha na beira do mar <3
além do mar e do meio do mato, minha outra maior saudade também tem nome: Rodrigo :’)
tentei registrar um dos casais que passou o ano novo de 2020 com a gente, Vitória e Txai
eu ainda não conhecia Icapuí, mas as paisagens naturais e cores de lá são algumas das mais lindas que já pude ver
lembranças de um dia bom (não sei descrever a emoção e o quentinho no coração que senti ao ver essas imagens)
finzinho de tarde ou aquela hora que o céu se pinta de mar e os dois bailam uma valsa até o escurecer

Tenho tentado trazer à memória o que me dá esperança, e as imagens e palavras estão me ajudando com isso. :’) Contar histórias e relembrar as singelezas da vida são algumas das preciosidades mais lindas que a fotografia faz, e isso me inspira a buscar a beleza do passar do tempo e fazer mais registros. Prometo tentar e compartilhá-los por aqui.

Agora, pra finalizar esse post, deixo uma poesia de Cecília Meireles. Espero que esses versos lhe toquem, com ternura, também.

Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos, 
limitados em chorar?

Não encontro caminhos
fáceis de andar.
Meu rosto vário desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.

E por isso levito.
É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança em cada lugar.

Rastro de flor e de estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar.

Obrigada, de verdade, pela sua companhia. Se cuida e até logo!

uma outra forma de falar sobre o que se é

Você já reparou que, depois de entrar na fase adulta, falar sobre quem se é torna-se um desafio, e nossas apresentações normalmente são preenchidas pelo que fazemos nos setores profissionais ou acadêmicos? É como se não houvesse outro meio de gerar uma rápida identificação do que somos às pessoas que ainda não conhecemos (a não ser uma espécie de mini entrevista de onde você estudou, no que trabalha e o que pensa em fazer nos próximos anos). E toda aquela conversa de “o que você quer ser quando crescer?”, que a gente escuta quando criança, pode gerar outras reflexões a partir disso.

No finalzinho do ano passado, tive uma grata surpresa: no curso online de escrita afetiva, da Aliás Editora, a escritora e professora AnnaK propôs um exercício em que eu e outras mulheres devíamos pensar em novas formas de nos apresentar, em poucos minutos, sem falar sobre nossas profissões. Já imaginou falar sobre você, focando no que tem valor mais afetivo e não no que você atua na rotina de trabalho e/ou estudo? Olha, posso dizer que vale muito a pena tentar fazer esse exercício.

Escrever sobre quem a gente é, sem utilizar as famigeradas credenciais, é uma ótima ferramenta de autoconhecimento: nunca é tarde para entender mais sobre as nossas motivações internas e ir em busca de aprender a só ser, como diz a música maravilhosa de Gilberto Gil.

Em um dos primeiros empregos CLT que trabalhei, eu gostava de usar o horário de almoço pra caminhar logo após a refeição. Não tinha um destino certo em mente, só a vontade de aproveitar aquele tempinho livre pra andar pela rua e espairecer a mente, e essa é uma das maiores saudades que carrego, porque gosto muito de caminhar assim, observando o movimento das pessoas, dos carros e das bicicletas, os gatinhos passeando entre as plantas da praça, as conversas na calçada, o cachorro em frente à padaria e a pressa de atravessar as avenidas. Era uma pausa que me encantava no dia, porque naquela hora eu não era uma analista de conteúdo de uma agência de marketing digital. Eu era uma caminhante, sem nenhuma necessidade de ser algo para além disso. E é isso, a gente nunca é algo definitivo, a gente só está.

Durante esse período de quarentena, eu tenho sentido muita falta desses momentos de caminhar ao ar livre. Dia vai e vem, em uma montanha-russa de emoções, pude observar coisas que aquecem o meu coração mesmo em meio às circunstâncias oscilantes ao longo dos meses, e então resolvi transformá-las em pequenos registros para compartilhar com você. <3 Aqui vão alguns deles.

fotos com meu amor, Rodrigo, para sempre olhar nas horas de estudo e trabalho
Bento tirando a sonequinha da beleza à tarde (posso passar horas admirando meus gatinhos)
Tulipa vendo eu tirar mais fotos: “de novo, mãe? me deixa dormir” kkkkkk
calendário inspirador, da Gabri Neara, pra inspirar e organizar o dia a dia
aprender a cuidar de plantinhas também ensina a gente a se amar mais

Então, para além do trabalho freelancer com produção de conteúdo e o mestrado em comunicação na UFC, eu sou mãe de plantas e de gatinhos (Bento e Tulipa), estou sempre com itens de papelaria por perto, amo aprender coisas novas, sempre tive paixão por experimentações artísticas, gosto muito de testar receitas na cozinha e fazer comida para quem amo, faço terapia em busca de me conhecer mais, estou tentando aprender passinhos de dança com patins, faço playlists para diferentes momentos/sensações, sempre estou lendo algo e amo tirar um tempinho pra ficar de bobeira vendo série ou filme.

E você, me conta um pouquinho da sua vida para além do crachá ou do currículo? É importante fazer a tentativa de falar sobre você para além do que os outros já veem no cotidiano. Vou amar ter a chance de trocar ideias com você por aqui. <3 Até logo, e se cuida.