observar a cidade e deixar que ela também te veja

observar a cidade e deixar que ela também te veja

Naquela tarde nublada, o tempo parecia dizer que caminhar era a melhor escolha a ser feita. Sim, colocar uma roupa leve, sair de casa e não pensar muito sobre os afazeres ou as obrigações da semana, pelo menos por algumas horas.

Coloquei o sapato mais confortável que eu tenho, pensando em explorar um território que há meses não podia contemplar: a cidade em que vivo. Olha, aquele lugar é novo? Caramba, eu nunca tinha prestado atenção naquela esquina. Aqui não tinha um banquinho?

Foi então que, na rua, as avistei e percebi que elas haviam decidido o mesmo que eu para aquele dia. Estavam simplesmente andando por aí, conversando, deixando a cidade transbordar por entre os olhos e os passos.

Fazia tempo que eu não separava alguns minutos pra observar a cidade e prestar atenção na rua. Entre os prédios e as árvores, as inconstâncias e rachaduras do tempo-espaço, ainda havia tanto para ser visto abaixo das nuvens vestidas de chuva. Levar as pernas para passear é como reunir o afeto do olhar, em busca de registrar encanto, com a curiosidade dos pés.

Por meio da realidade, também é possível escrever outras narrativas, e é quando saímos de casa que podemos apreciar os detalhes do acaso. Eu sempre me surpreendo com o quanto sair para caminhar é algo que pode mudar a nossa perspectiva sobre o dia, o presente e o que achamos conhecer. É feito um rito de passagem para o desconhecido que mora logo ali e, às vezes, não conseguimos perceber.

Eu gosto de pensar que sair de casa para caminhar e observar a cidade se parece com o momento de tomar banho em um rio. Após mergulhar, sempre há algo que muda dentro de nós. E isso nos faz ver a vida pela fluidez de outras águas também.

Qual foi a última vez que você se permitiu sair de casa sem um compromisso específico para além do desejo de ver a cidade em que mora e, assim, observar os arredores? Fazer isso, além de gerar mais leveza para os dias, é uma ótima forma de plantar sementes de imaginação e criatividade pelo caminho.

uma nova perspectiva

uma nova perspectiva

Hoje o dia amanheceu chuvoso aqui em Fortaleza, no Ceará, deixando um clima bem gostoso logo pela manhã. Meus gatinhos, Bento e Tulipa, também aproveitaram para descansar e olhar as gotinhas de chuva pela janela.

Amo observar a forma como eles contemplam os detalhes do tempo de uma forma diferente a cada dia, e resolvi fotografar para começar esse 2022 com a ideia de ter mais memórias visuais na rotina, sem esperar por momentos de comemoração ou datas especiais.

As semanas que antecederam o ano que chegou, e principalmente o último dia de 2021, foram cheios de imprevistos que me drenaram bastante, e infelizmente eu não tenho nenhum registro da noite de “rei leão” aqui em casa, mas graças a Deus ficou tudo bem e consegui aproveitar o jantar com minha família.

Por mais que a gente planeje alguns detalhes, sempre podem ocorrer situações inesperadas e o que resta é a tentativa de se adaptar às mudanças, se conectar com o que mais importa, acolher os nossos sentimentos, entender o que não podemos mudar ao redor e refletir sobre o que pode ser transformado em nosso interior, sendo mais gentis conosco e com os nossos processos. Como diz a música Ninguém vive por mim, de Sérgio Sampaio, “o pior dos temporais aduba o jardim”.

Apesar de gostar muito de planejar o ano, os meses e as semanas, um dos aprendizados da junção de 2020 e 2021 é que não há como ter controle sobre coisa alguma e, na tentativa de reduzir a ansiedade, é preciso largar a mão do perfeccionismo e fazer o melhor que eu posso com as condições que tenho atualmente. Pretendo exercitar isso com mais afinco nesse ano para tirar algumas ideias do papel, e sou muito grata por ter esse espaço tão querido para compartilhar minhas coisas por aqui.

Desejo mais leveza e coragem para seguir o fluxo desse ano de 2022. Que possamos seguir com nossas lutas sem esquecer dos nossos sonhos e momentos de respiro. Um feliz ano novo, com novas histórias e dias melhores!

Fica bem! Abraço ❤

pequenezas do dia a dia

pequenezas do dia a dia

Aqui onde moro com a minha família é possível ver bem apenas o nascer do sol, preenchendo as madrugadas de insônia com o lembrete de que um novo dia está chegando com outras cores e perspectivas.

Porém, perto do final do ano, o entardecer resolve se revelar mais também: pequenos vestígios do pôr do sol invadem as frestas da janela da cozinha, pintando o piso e os azulejos da parede todos de dourado por breves minutos. Tudo ganha uma outra cor, a pele, o fogão, a louça, e é quase como se virasse um novo lugar por um instante.

Um espaço-tempo que se despede quase da mesma forma que surge. De repente. Captar os desenhos de luz e sombra, exercitando um olhar mais atento para o presente, é abraçar a efemeridade das pequenezas que não podem passar despercebidas, como uma oração ao tempo. João Guimarães Rosa já dizia, “Deus está nos detalhes”.

Usar a câmera analógica tem me ajudado bastante a dar mais importância às pequenezas do cotidiano, por funcionar no caminho inverso à pressa das horas, e meu coração sempre bate mais feliz quando começo um novo filme (e especialmente quando o envio para revelar os registros).

Essas imagens foram feitas na Olympus Trip 35, com o filme P&B Praça do Ferreira, do @lab8oito, e a revelação e digitalização também foram feitas nesse mesmo laboratório.

Quais são as pequenas que têm deixado a sua rotina mais bonita? Quando a gente se permite ver para além do enxergar, novos detalhes e cores se mostram. Obrigada por me acompanhar por aqui!

Até logo, e se cuida.

uma outra forma de falar sobre o que se é

Você já reparou que, depois de entrar na fase adulta, falar sobre quem se é torna-se um desafio, e nossas apresentações normalmente são preenchidas pelo que fazemos nos setores profissionais ou acadêmicos? É como se não houvesse outro meio de gerar uma rápida identificação do que somos às pessoas que ainda não conhecemos (a não ser uma espécie de mini entrevista de onde você estudou, no que trabalha e o que pensa em fazer nos próximos anos). E toda aquela conversa de “o que você quer ser quando crescer?”, que a gente escuta quando criança, pode gerar outras reflexões a partir disso.

No finalzinho do ano passado, tive uma grata surpresa: no curso online de escrita afetiva, da Aliás Editora, a escritora e professora AnnaK propôs um exercício em que eu e outras mulheres devíamos pensar em novas formas de nos apresentar, em poucos minutos, sem falar sobre nossas profissões. Já imaginou falar sobre você, focando no que tem valor mais afetivo e não no que você atua na rotina de trabalho e/ou estudo? Olha, posso dizer que vale muito a pena tentar fazer esse exercício.

Escrever sobre quem a gente é, sem utilizar as famigeradas credenciais, é uma ótima ferramenta de autoconhecimento: nunca é tarde para entender mais sobre as nossas motivações internas e ir em busca de aprender a só ser, como diz a música maravilhosa de Gilberto Gil.

Em um dos primeiros empregos CLT que trabalhei, eu gostava de usar o horário de almoço pra caminhar logo após a refeição. Não tinha um destino certo em mente, só a vontade de aproveitar aquele tempinho livre pra andar pela rua e espairecer a mente, e essa é uma das maiores saudades que carrego, porque gosto muito de caminhar assim, observando o movimento das pessoas, dos carros e das bicicletas, os gatinhos passeando entre as plantas da praça, as conversas na calçada, o cachorro em frente à padaria e a pressa de atravessar as avenidas. Era uma pausa que me encantava no dia, porque naquela hora eu não era uma analista de conteúdo de uma agência de marketing digital. Eu era uma caminhante, sem nenhuma necessidade de ser algo para além disso. E é isso, a gente nunca é algo definitivo, a gente só está.

Durante esse período de quarentena, eu tenho sentido muita falta desses momentos de caminhar ao ar livre. Dia vai e vem, em uma montanha-russa de emoções, pude observar coisas que aquecem o meu coração mesmo em meio às circunstâncias oscilantes ao longo dos meses, e então resolvi transformá-las em pequenos registros para compartilhar com você. <3 Aqui vão alguns deles.

fotos com meu amor, Rodrigo, para sempre olhar nas horas de estudo e trabalho
Bento tirando a sonequinha da beleza à tarde (posso passar horas admirando meus gatinhos)
Tulipa vendo eu tirar mais fotos: “de novo, mãe? me deixa dormir” kkkkkk
calendário inspirador, da Gabri Neara, pra inspirar e organizar o dia a dia
aprender a cuidar de plantinhas também ensina a gente a se amar mais

Então, para além do trabalho freelancer com produção de conteúdo e o mestrado em comunicação na UFC, eu sou mãe de plantas e de gatinhos (Bento e Tulipa), estou sempre com itens de papelaria por perto, amo aprender coisas novas, sempre tive paixão por experimentações artísticas, gosto muito de testar receitas na cozinha e fazer comida para quem amo, faço terapia em busca de me conhecer mais, estou tentando aprender passinhos de dança com patins, faço playlists para diferentes momentos/sensações, sempre estou lendo algo e amo tirar um tempinho pra ficar de bobeira vendo série ou filme.

E você, me conta um pouquinho da sua vida para além do crachá ou do currículo? É importante fazer a tentativa de falar sobre você para além do que os outros já veem no cotidiano. Vou amar ter a chance de trocar ideias com você por aqui. <3 Até logo, e se cuida.