no meio do caminho tinha a vida adulta

no meio do caminho tinha a vida adulta

Minha mãe sempre conta que eu chorava dizendo que não queria crescer quando ainda era criança. Sempre dá vontade de rir pelo jeito que ela narra a situação, mas eu realmente tinha medo de ser adulta quando olhava a situação das pessoas mais velhas ao meu redor. Isso porque elas quase nunca tinham tempo pra brincar, viviam de um lado para outro, sempre pareciam ter muitas coisas pra fazer e preocupações na cabeça, e eu não conseguia imaginar aquela vida pra mim.

Provavelmente a mini Priscilla tinha a síndrome do Peter Pan e não sabia, né, mas a verdade é que eu só queria aproveitar ao máximo a infância e não deixar nunca que os problemas ou as dificuldades fossem maiores do que a vida em si. Enfim, a realidade sempre aparece, e quando ela chegou de verdade, com as oito horas diárias (ou mais) de trabalho na rotina CLT, eu fiquei sem saber o que fazer, deixei hobbies pra trás e alguns pedaços de quem eu costumava ser também

Hoje tenho pensado sobre como as coisas vão tomando um rumo rápido e até incalculável enquanto a gente pensa o que pode fazer para que a caminhada seja mais leve. Afinal, qual foi a última vez que você se permitiu viver algo pela primeira vez? E o que mais você gostava de fazer na infância? Essas perguntas podem nos levar a lembranças afetivas ou até despertar novas possibilidades que estavam guardadas em nosso interior, gerando outros modos de ver não somente o que está por dentro, mas também o que nos rodeia.

Estou cada vez mais pertinho de completar 30 anos, e essa idade é vista por muitas pessoas como um período em que já é preciso ter mais estabilidade em diversos setores, o que já foi conversa para algumas sessões de terapia (alô, retorno de saturno). Porém, como encontrar resposta em um padrão generalizado se cada pessoa tem um repertório de experiências tão diferentes?

Viver é um caminho de infinitos aprendizados e descobertas: não há uma idade definida para “passar de fase” nem há o porquê de comparar o seu crescimento com o de outras pessoas, já que cada uma está trilhando o seu próprio caminho e só podemos ser melhores do que fomos antes. Não teria graça se fosse tudo igual.

Eu não sou como a Priscilla de 13 anos — que usava uma franja cobrindo os olhos, passava lápis preto sem se preocupar se ia borrar, desenhava na hora da aula, ouvia blink 182 de dia e fresno à noite etc. — queria ou imaginava, mas aqui estou eu, equilibrando alguns pratinhos entre o mestrado e a vida de freelancer em redação e produção de conteúdo, e também tentando perder o receio de compartilhar as coisas que escrevo, penso e sinto.

A vida é meio que isso, ela não acontece como a gente imagina, mas acaba rendendo bem mais do que a nossa imaginação, exatamente pelos imprevistos, pelo que está no meio do caminho, por nos levar para outros lugares e fazer com que a gente descubra mais sobre o nosso interior para que, assim, a caminhada continue.

Que não esqueçamos que, diante de tanto malabarismo, tarefas, deslocamentos, boletos (cringe) e outras questões, a vida adulta também é um lugar para lembrarmos de ser quem somos, sonhar, esboçar outras rotas, abraçar o que já passou, aprender mais e se permitir viver as surpresas, mudanças, incertezas e experiências que estão por vir.

Dançar entre ciclos e mudanças é entender que o caminho não é feito só de “andar pra frente” — e que dar alguns passos para trás também não é necessariamente deixar de ter avanços — mas de aprender mais sobre o que está ao redor e, especialmente, sobre o que está no interior (e aprender a olhar isso tudo com mais carinho e autocompaixão). A vida adulta não é um fim, mas um processo, que envolve recomeços e que está sempre em movimento.

E aí, vamos nos permitir recomeçar a cada manhã? Obrigada por me acompanhar por aqui!

Se cuida. 💗

Vale a pena escrever um diário?

Vale a pena escrever um diário?

Qual foi a última vez que você escreveu sobre os seus dias? Por mais que a palavra diário remeta à adolescência ou infância, ele é uma ferramenta poderosa de autoconhecimento, cura e aprendizado que pode ajudar até na construção da nossa memória e identidade pessoal independente da nossa idade. Entender o que sentimos por meio de palavras é um exercício que, a princípio, parece pode parecer desafiador para alguns e bobo para outros, mas nos aproxima de nós mesmos e gera diversos outros benefícios quando é algo feito com frequência.

Na vida adulta, voltei a escrever diário com mais frequência só a partir do ano passado e pude perceber uma diferença impressionante no modo de organizar meus pensamentos por meio da escrita. Isso porque, muitas vezes, tenho dificuldade em expressar o que realmente estou sentindo, mas ao fazer isso diariamente, utilizando palavras, senti mais facilidade no fluxo de sensações-pensamentos-texto.

É claro que nem sempre consigo seguir a sequência dos dias, porque esqueço em alguns, e em outros acabo deixando pra última hora, mas tento manter uma constância e logo retorno pelo bem que me faz. A escrita sobre os meus dias se torna um lugar em que eu posso falar de forma mais livre, transbordando o que não cabe mais no peito e na cabeça. Isso me ajuda bastante nos momentos de terapia também, pois me faz levar alguns assuntos que merecem ser discutidos de forma mais aprofundada.

Se você tem medo de começar a escrever um diário e parecer que está em um retorno à adolescência, não precisa se preocupar com isso: a nossa escrita tem a ver com o que estamos vivenciando no momento, nossas experiências e nosso repertório e, assim, o que escrevemos reflete o nosso estado presente. Então, sim, vai ser bem diferente do “querido diário”, como a Carol Figueiredo fala em seu podcast, e um lugar único para expressar o que você quiser.

Para começar a escrever um diário depois de adulta — e conseguir manter a constância durante a rotina — é importante ter em mente alguns pontos que fazem toda a diferença nessa jornada, que são:

julgue menos e escreva mais

Achar que não vale a pena escrever um diário por ser algo que remete à adolescência ou infância já é um tipo de julgamento que pode aparecer como barreira para exercitar essa prática. Então em vez de pensar assim, de forma autocrítica, é importante abrir espaço para essa experiência e se permitir escrever com mais fluidez e menos preocupação, afinal, o que você vai escrever não precisa ser visto por outras pessoas.

O diário é um espaço só seu, pode ser escrito do jeito que você preferir, sem importar a caligrafia, o tempo dedicado a esse momento, o número de páginas ou as temáticas abordadas. Em uma aula que assisti um dia desses sobre a importância de escrever diários, da escritora Ana Holanda, vi que um dos maiores medos é não saber por onde começar, mas a autora deu a dica de escrever sobre o que está ao redor: o cheiro que vem da cozinha, o barulho que pode ser ouvido pela janela, os hábitos de quem mora com você, tudo pode ser um motivo para um texto.

deixe o texto fluir

É válido pensar o diário como um momento para fluir pensamentos e emoções, sem regras: a escrita diária não deve ser vista como uma demanda a mais, mas como uma hora de ser livre para colocar no papel (ou em outra mídia que preferir) o que vier à cabeça e ao coração. É uma conversa íntima com você mesma, e não precisa ser perfeita.

Austin Kleon fala que gosta de manter a escrita em diário, porque o ajuda a prestar mais atenção em sua vida, contribui para a sua terrível memória e é um ótimo lugar para ter ideias “ruins”, pelo fato de ser um espaço privado para os seus próprios pensamentos: você é livre para escrever ou rabiscar o que quiser.

tente exercitar a autocompaixão

Às vezes, quando falamos com o nosso interior, podemos ter bastante rigidez ou autocrítica. Eu já deixei de escrever durante um tempo por achar que tudo que eu escrevia era bobo ou sem importância em vez de olhar as coisas como parte de uma jornada para aprender mais e, assim, continuar a nadar tentar. Não é fácil evitar a comparação com outras pessoas ou olhar com mais gentileza para os nosso erros e até para o que conquistamos também, mas vale exercitar isso na escrita.

Então quando for escrever, que tal perceber o jeito que você fala consigo e colocar em prática a autocompaixão? Essa pequena atitude, aos poucos, é transformadora e pode deixar marcas positivas para além do papel. Há um episódio do podcast Autoconsciente (que é um dos que mais amo ouvir, e recomendo muito), que fala sobre a importância de perdoar a si mesmo e ter mais gentileza com seus erros para ter mais saúde mental e física ao longo da vida.

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releia o que você escreveu

Não é preciso revisar nem reler logo após escrever, mas depois de uma semana ou um mês, é muito legal revisitar as páginas anteriores. Fazer isso é uma ótima forma de lembrar o que já passou, refletir sobre como você estava, aprender mais sobre si e sobre a sua escrita e, dessa forma, ter novas perspectivas para as próximas páginas.

E aí, que tal começar hoje a registrar mais a sua vida? Separar um caderninho ou alguma ferramenta digital é um meio de ter um incentivo extra para colocar isso em prática. Espero que a escrita diária consiga levar seus pensamentos e suas emoções para ampliar o seu autoconhecimento e explorar outras possibilidades, assim como tem feito comigo.

Obrigada por me acompanhar nesse post. Até mais!

a busca pela identidade no entre-lugar, uma leitura de Persépolis

a busca pela identidade no entre-lugar, uma leitura de Persépolis

Quem aí já se sentiu não pertencente a algum grupo, em busca de mais autoconhecimento, com crise de identidade ou até frustrado por não conseguir se encaixar em algum lugar? Persépolis, uma obra extremamente sensível e honesta de Marjane Satrapi fala, entre tantas temáticas, especialmente sobre a dificuldade de se encontrar em meio a lacunas de espaço, tempo, memórias, política e cultura. Esse livro é uma história em quadrinhos autobiográfica da autora e ilustradora, abordando momentos desde a sua infância à vida adulta, durante e após a Revolução Islâmica.

Ler essa HQ foi uma oportunidade de acessar uma mistura de emoções a cada página e, principalmente, de perceber o quão pouco é o meu conhecimento sobre o Irã, a sua história e a vida por lá. Apesar da realidade contada pelo livro ser diferente em vários aspectos da que é mais conhecida no Brasil, é possível observar diversas semelhanças no que diz respeito a injustiças contra mulheres, autoritarismo no governo, extremismo religioso, opressão e falta de boas perspectivas para a educação, entre outros.

Ao longo da história, comecei a me sentir bastante assustada no sentido de pensar como tanta coisa ruim pode acontecer daquela forma e, ao mesmo tempo, pensar que aquilo aconteceu há alguns anos atrás, mas que ainda ocorre em diversas camadas, como se o medo de tanto regresso e opressão não pudesse passar.

O que Marjane experienciou da infância à vida adulta, sua mãe e sua avó passaram durante a vida inteira, assim como hoje diversas outras mulheres continuam vivenciando. Por mais que algumas lembranças sejam vestidas de traumas e dores, não deixar o passado se apagar ou ser negado é um meio de não imergir, fortalecer a história individual e coletiva e, dessa forma, expandir as possibilidades de construir um cenário diferente.

Em 2020, a obra completou 20 anos de existência, sendo a primeira publicação em quadrinhos feita por uma mulher, que já vendeu milhões de cópias ao redor do mundo, mas não pôde ser publicada nem vendida oficialmente no país em que Marjane nasceu. Por meio das experiências relatadas ao longo de sua autobiografia em graphic novel, é possível se inspirar com a coragem que ela teve de partilhá-las e perceber o convite que ela faz a outras mulheres também contarem suas histórias.

Além de acompanhar a história do Irã em meio a bombardeios, guerras, mortes e injustiças, o seu livro também fala sobre a história da sua vida: da sua criação por uma família politizada de esquerda que tinha muito conhecimento, dos sábios conselhos da sua avó sempre presente, das contradições que ela encontrava no dia a dia, das perdas e ausências, dos momentos de diversão em meio ao caos, das lacunas e angústias geradas por viver em busca de um lugar onde pudesse se encontrar e, principalmente, da sua formação como mulher ao longo dos anos.

Entre diversas temáticas, como autoconhecimento, amadurecimento, família, drogas, relacionamentos amorosos, cultura, guerra, medo, política, amizade, Marjane fala muito sobre superação, força e a liberdade de pensar, de ir e vir, de ser quem você é e de compartilhar sua história com mais outras pessoas.

Fazer a leitura de Persépolis após a eleição de 2018 no Brasil e depois de quase dois anos de pandemia, e encontrar tantas semelhanças com o nosso país (e perceber que muitos diálogos do livro ainda são extremamente válidos até hoje), e ver também que o Talibã tomou novamente o poder no Afeganistão, colocando ainda mais sombras sobre os direitos de diversas mulheres, pra mim, é mais um motivo de refletir que a nossa vida é sempre cercada por política e que entender a história e a memória de quem já passou por essas situações é um caminho para esboçar novas possibilidades, como Marji nos inspira.

Até logo! 🌹

o corpo pede um pouco mais de pausa

o corpo pede um pouco mais de pausa

Acordou, sentiu uma estranheza em seus braços. Correu para o espelho e viu manchas vermelhas, revelando uma pele irritada de um jeito que nunca havia visto antes. As manchas se espalharam do pescoço às pernas, percorrendo todo o corpo e gerando diversos incômodos. O que poderia ter causado aquilo? Não lembrava de ter ingerido nada diferente no dia anterior, e não entendeu o porquê daquela crise alérgica tão grave e repentina. Precisou tirar um dia de descanso, quase à força, longe das telas e da necessidade de estar online, e só então melhorou.

Esse trecho que você acabou de ler retrata um dos dias em que meu corpo adoeceu pela falta de descanso mental durante a pandemia. Até eu perceber que estava esgotada e, com isso, foram dias me cobrando e culpando por achar que não estava fazendo o suficiente.

Em meio a todo o caos que estamos vivendo, ainda há também quem ache que é preciso fazer sempre mais para que fique tudo bem, porque “hashtag vai dar certo“: mas não está tudo bem e já deu muito errado.

Não é questão de ser pessimista ou algo do tipo, mas de tentar lembrar que não precisamos ser úteis o tempo todo, que é preciso descansar um pouco, sim, e também viver períodos de tristeza, de luto, angústia. O melhor que podemos fazer a cada dia não vai ser sempre o mesmo, porque, como a @flordemim sempre lembra, a gente não está sempre no nosso 100% (nem precisa se forçar a estar).

Assim como na canção de Lenine, é preciso ter calma, se recusar, fazer hora e ir na valsa. Por que não? Nesse período de quarentena, em que evitei sair de casa ao máximo que pude, senti os dias escorrendo pelos dedos enquanto fiz muitos esforços para continuar em movimento, mas o que eu ainda não sabia é que repousar também é uma forma de se movimentar.

Entre terapias extras, enxaquecas, vontade de sumir no meio do mato, noites de muito sono e outras de insônia, dias de baixa concentração para qualquer atividade, crises de rinite e a crescente necessidade de simplesmente fazer nada, eu tenho aprendido algumas coisas e decidi compartilhar por aqui.

observe o que o seu corpo tem falado

Por incrível que pareça, em muitos momentos, o nosso corpo sabe reconhecer mais o que precisamos do que imaginamos. O perigo é que a gente quase sempre acha que é algo bobo, que pode passar com a ajuda de algum remedinho e vamos que vamos, deixando de perceber sinais importantes para a saúde mental, física e emocional ao longo da rotina, o que pode gerar uma série de problemas.

tente entender, com gentileza, as suas mudanças internas

Apesar de a gente observar com mais facilidade o que muda no visual das pessoas, o cabelo, as roupas, o modo de se expressar, entre outros, olhar para dentro é uma parte importante na busca de se conhecer mais e, assim, descobrir novas formas de ser mais gentil com as transformações da vida. Tudo tem passado rápido demais, eu sei, a gente já está em agosto de 2021 (e parece que ontem era março de 2020), e ao mesmo tempo tanta coisa já mudou.

Já são quase dois anos de distanciamento social e diversas outras preocupações a mais para lidar, então tente se cobrar menos e se permita observar, com mais carinho, as mudanças de rotas até aqui.

é preciso saber como se planejar, mas lidar com imprevistos também

Já faz um tempo que eu tenho o costume de planejar a semana, os meses, enfim, usando planner ou bujo, o que tem me ajudado muito. Porém, deixei de fazer isso em vários momentos da pandemia, por ansiedade ou por achar que não valia nada continuar se planejando (o mundo já tá acabando mesmo, né?).

Entretanto, é essencial encontrar o equilíbrio entre o que pode ser planejado e o que pode acontecer para além do nosso controle. Tenho engatinhado bastante nesse aprendizado, mas já percebi muita diferença de lá pra cá.

o que funciona para outra pessoa pode não servir pra você (e vice-versa)

Por mais clichê que seja falar que cada pessoa tem o seu próprio ritmo, essa é uma verdade super válida de lembrar a qualquer hora (principalmente naquelas em que você tenta se comparar a quem tem uma vida completamente diferente da sua).

Eu passei muito tempo tentando encontrar métodos de me concentrar ou me manter mais motivada, o que proporcionou momentos bem estressantes e confusos, com base nas experiências de outras pessoas, até perceber que era preciso achar o que realmente funciona pra mim — e entender também que o que dá certo hoje pode não dar mais amanhã.

separe um tempo para não fazer nada

Se você também já passou por aquele ciclo de estar com muito cansaço e não conseguir fazer nada e, depois, se culpar por estar sem fazer nada, eu recomendo tirar um tempinho para ficar realmente sem fazer nada. Sim, por mais que a gente relute em achar que fazer algo produtivo é mais importante, é preciso lembrar que cuidar de você também já é fazer alguma coisa (e a sua saúde agradece).

Além de tirar um tempo só pra descansar, as atividades fora das telas foram as que mais me ajudaram a manter a calma e desopilar a cabeça (entre elas, as principais foram ler, escrever, brincar com meus gatinhos, cuidar de plantas, cozinhar receitas novas — o mundo acabando e eu indo fazer bolo mais uma vez — dançar do jeito que der, meditar e tirar fotos do cotidiano com câmeras analógicas). Quais práticas estão fazendo parte do seu dia a dia nos momentos de descanso e lazer?

Ter um tempo de qualidade para si é algo transformador para a mente e o corpo, e é algo que pode ser trabalhado aos poucos. No meu caso, tive que começar a aprender por forças maiores (gif do menino que ri e chora ao mesmo tempo), mas viver é estar em constante aprendizado mesmo e fico feliz por estar dando os primeiros passos nesse caminho de olhar com mais gentileza para o que preciso e também por ter partilhado um pouco sobre isso por aqui.

Vou continuar nessa busca de dar mais atenção à saúde mental e física, então provavelmente devo compartilhar outros aprendizados depois. Agora me fala de você, como tem sido a sua rotina e como tem lidado com o cansaço ou o estresse desses dias? Que tal separar um tempinho para descansar nessa semana?

Espero que você aproveite melhor os seus próximos momentos livres. Obrigada por ter me acompanhado nesse post!

Até mais!

mãe

passado-presente-futuro

Um dia na praia com minha mãe e a família
Ela sempre segurava minha mão com medo de eu me perder ou não saber nadar
Era mais seguro estar assim com ela
De repente ela puxou minhas duas mãos
E sem querer minhas pernas também subiram
Eu não sabia que isso era possível
Sempre tentava sentar com a coluna ereta, esquecendo que se divertir era melhor que ter postura
Então dei um grito, assustada, sem acreditar
O que poderia acontecer com minhas pernas abrindo assim?
Pareceu, por quase um segundo, que eu podia voar e chegar perto das nuvens que tanto admirava
Depois se torna engraçado, mas na hora foi mais como o susto de uma surpresa inesperada
Eu não fiz balé como minha mãe sonhava
E acabei perdendo um pouco da flexibilidade conforme fui crescendo
A gente se coloca tantas barreiras para ser mais adulta,
que esquece da graça de descobrir um mar de possibilidades no seu próprio corpo
Eu tinha um pouco de vergonha dele, talvez por isso não o conhecesse tanto
Isso foi em outubro de 1995, mas às vezes ainda é assim
e agora eu vejo que só queria sentir o gosto do vento salgado entre os dentes
e os pés experimentando as texturas entre o frio e o calor.

saudade pixelada

registro saudoso de janeiro de 2020, antes da pandemia

Entre tantas incertezas desses últimos meses, algo não deixa de brotar dentro do peito: a saudade do mar e de ficar mais pertinho da natureza. Sentar na areia pra admirar as ondas quebrando, enquanto o cabelo dança ao som do vento, é uma falta que tenho sentido mais a cada dia.

E então, revelar o filme da câmera analógica (que estava guardado há mais de um ano), com a Lab 8, e receber esses registros por e-mail foi como ganhar pequenos pixels de esperança em uma tarde – de lockdown – de domingo.

[para fazer essas fotos, usei a Olympus Trip 35 e o filme Kodak ColorPlus 200, na praia de Ponta Grossa, em Icapuí (CE)]:

essa foto me trouxe uma sensação tão boa: deu até pra ouvir o barulhinho que a água faz quando a gente caminha na beira do mar <3
além do mar e do meio do mato, minha outra maior saudade também tem nome: Rodrigo :’)
tentei registrar um dos casais que passou o ano novo de 2020 com a gente, Vitória e Txai
eu ainda não conhecia Icapuí, mas as paisagens naturais e cores de lá são algumas das mais lindas que já pude ver
lembranças de um dia bom (não sei descrever a emoção e o quentinho no coração que senti ao ver essas imagens)
finzinho de tarde ou aquela hora que o céu se pinta de mar e os dois bailam uma valsa até o escurecer

Tenho tentado trazer à memória o que me dá esperança, e as imagens e palavras estão me ajudando com isso. :’) Contar histórias e relembrar as singelezas da vida são algumas das preciosidades mais lindas que a fotografia faz, e isso me inspira a buscar a beleza do passar do tempo e fazer mais registros. Prometo tentar e compartilhá-los por aqui.

Agora, pra finalizar esse post, deixo uma poesia de Cecília Meireles. Espero que esses versos lhe toquem, com ternura, também.

Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos, 
limitados em chorar?

Não encontro caminhos
fáceis de andar.
Meu rosto vário desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.

E por isso levito.
É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança em cada lugar.

Rastro de flor e de estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar.

Obrigada, de verdade, pela sua companhia. Se cuida e até logo!

uma outra forma de falar sobre o que se é

Você já reparou que, depois de entrar na fase adulta, falar sobre quem se é torna-se um desafio, e nossas apresentações normalmente são preenchidas pelo que fazemos nos setores profissionais ou acadêmicos? É como se não houvesse outro meio de gerar uma rápida identificação do que somos às pessoas que ainda não conhecemos (a não ser uma espécie de mini entrevista de onde você estudou, no que trabalha e o que pensa em fazer nos próximos anos). E toda aquela conversa de “o que você quer ser quando crescer?”, que a gente escuta quando criança, pode gerar outras reflexões a partir disso.

No finalzinho do ano passado, tive uma grata surpresa: no curso online de escrita afetiva, da Aliás Editora, a escritora e professora AnnaK propôs um exercício em que eu e outras mulheres devíamos pensar em novas formas de nos apresentar, em poucos minutos, sem falar sobre nossas profissões. Já imaginou falar sobre você, focando no que tem valor mais afetivo e não no que você atua na rotina de trabalho e/ou estudo? Olha, posso dizer que vale muito a pena tentar fazer esse exercício.

Escrever sobre quem a gente é, sem utilizar as famigeradas credenciais, é uma ótima ferramenta de autoconhecimento: nunca é tarde para entender mais sobre as nossas motivações internas e ir em busca de aprender a só ser, como diz a música maravilhosa de Gilberto Gil.

Em um dos primeiros empregos CLT que trabalhei, eu gostava de usar o horário de almoço pra caminhar logo após a refeição. Não tinha um destino certo em mente, só a vontade de aproveitar aquele tempinho livre pra andar pela rua e espairecer a mente, e essa é uma das maiores saudades que carrego, porque gosto muito de caminhar assim, observando o movimento das pessoas, dos carros e das bicicletas, os gatinhos passeando entre as plantas da praça, as conversas na calçada, o cachorro em frente à padaria e a pressa de atravessar as avenidas. Era uma pausa que me encantava no dia, porque naquela hora eu não era uma analista de conteúdo de uma agência de marketing digital. Eu era uma caminhante, sem nenhuma necessidade de ser algo para além disso. E é isso, a gente nunca é algo definitivo, a gente só está.

Durante esse período de quarentena, eu tenho sentido muita falta desses momentos de caminhar ao ar livre. Dia vai e vem, em uma montanha-russa de emoções, pude observar coisas que aquecem o meu coração mesmo em meio às circunstâncias oscilantes ao longo dos meses, e então resolvi transformá-las em pequenos registros para compartilhar com você. <3 Aqui vão alguns deles.

fotos com meu amor, Rodrigo, para sempre olhar nas horas de estudo e trabalho
Bento tirando a sonequinha da beleza à tarde (posso passar horas admirando meus gatinhos)
Tulipa vendo eu tirar mais fotos: “de novo, mãe? me deixa dormir” kkkkkk
calendário inspirador, da Gabri Neara, pra inspirar e organizar o dia a dia
aprender a cuidar de plantinhas também ensina a gente a se amar mais

Então, para além do trabalho freelancer com produção de conteúdo e o mestrado em comunicação na UFC, eu sou mãe de plantas e de gatinhos (Bento e Tulipa), estou sempre com itens de papelaria por perto, amo aprender coisas novas, sempre tive paixão por experimentações artísticas, gosto muito de testar receitas na cozinha e fazer comida para quem amo, faço terapia em busca de me conhecer mais, estou tentando aprender passinhos de dança com patins, faço playlists para diferentes momentos/sensações, sempre estou lendo algo e amo tirar um tempinho pra ficar de bobeira vendo série ou filme.

E você, me conta um pouquinho da sua vida para além do crachá ou do currículo? É importante fazer a tentativa de falar sobre você para além do que os outros já veem no cotidiano. Vou amar ter a chance de trocar ideias com você por aqui. <3 Até logo, e se cuida.