o que a vulnerabilidade tem a ver com a criatividade?

Apesar de o universo criativo normalmente ser retratado como um lugar colorido, leve e divertido, a vida real está longe de seguir essa representação.

No dia a dia, é comum enfrentar medos, imprevistos, preocupações e incertezas em diversas áreas e, ao tentar omitir essas emoções ou fugir de momentos difíceis a qualquer custo, também podemos nos fechar para as coisas boas que podem surgir. Afinal, viver é experimentar uma porção de coisas diferentes e, quanto mais você se entrega a isso, mais chances você ganha de expandir os significados que dá à própria vida.

Assim como a vida é cheia altos e baixos, a criatividade pode ir e vir: é importante deixá-la livre e aproveitar esse fluxo, pois não é sempre que a inspiração vai estar disponível, mas vale a pena continuar tentando.

vulnerabilidade e criatividade andam juntas

Por meio da coragem de se permitir tentar, você pode descobrir coisas novas, entender os seus propósitos, obter insights valiosos e lidar com os dois lados da moeda de ter uma vida plena e mais criativa. Tá, mas o que isso tem a ver com a vulnerabilidade? Tudo, como nos lembra a Brené Brown em A coragem de ser imperfeito:

Vulnerabilidade não é conhecer vitória ou derrota; é compreender a necessidade de ambas, é se envolver, se entregar por inteiro. Vulnerabilidade não é fraqueza; e a incerteza, os riscos e a exposição emocional que enfrentamos todos os dias não são opcionais. Nossa única escolha tem a ver com o compromisso. A vontade de  assumir os riscos e de se comprometer com a nossa vulnerabilidade determina o alcance de nossa coragem e a clareza de nosso propósito.

Ao entender que ser vulnerável não é ser fraco, mas ter a coragem de enfrentar os desafios que surgem e, assim, continuar a sua jornada, você passa a se conhecer mais, explorando os seus defeitos e as suas qualidades, reconhecendo a sua força interna, sendo quem você realmente é e se aproximando de experiências que podem transformar a sua vida.

o caminho se faz ao caminhar

Criar ou produzir algo normalmente mexe com o medo de errar, a insegurança de receber críticas ou a angústia por não fazer algo “perfeito”, mas é preciso lembrar que a perfeição é algo extremamente subjetivo e inalcançável na realidade humana, e o melhor que você pode fazer para ter um caminho criativo é continuar caminhando.

Eu lembro de uma aula da disciplina de criação publicitária, quando estava na graduação, em que a professora perguntou quem não se achava criativo, e apenas uma pessoa levantou a mão. A verdade é que a criatividade não pertence apenas a algumas pessoas, e é possível perceber isso até nas pequenas coisas da rotina: a inspiração para criar algo não remete apenas à realização de obras de arte, mas também a buscar soluções para enfrentar desafios, contar histórias e encontrar formas de facilitar a vida.

A Elizabeth Gilbert, autora de Grande Magia – Vida criativa sem medo, afirma que:

Se você está vivo, é uma pessoa criativa. Eu, você e todo mundo que conhecemos descendemos de milhares de  gerações de criadores. Decoradores, reparadores, contadores de histórias, dançarinos, exploradores, rabequistas,  percussionistas, construtores, cultivadores, solucionadores de problemas e embelezadores — esses são nossos  ancestrais comuns.

Por meio da leitura dos livros A coragem de ser imperfeito e Grande Magia, pude aprender que a vergonha, a insegurança e o perfeccionismo são sentimentos que podemos tentar nos livrar sempre que aparecerem para não deixar de fazer o que gostamos nem abandonar os nossos sonhos, vínculos e propósitos.

De acordo com a Brené Brown, nós podemos substituir a dúvida sobre o que os outros vão pensar pela generosidade, aceitação e pelo amor próprio, acreditando no nosso valor e nos permitindo continuar experimentando, aprendendo e tentando.

é por aí que a luz entra

Perceber as suas dificuldades e encarar a vulnerabilidade não é expor tudo o que você tem passado nem se fechar atrás de “escudos”, mas reconhecer o que você carrega de bom, as suas conquistas e, principalmente, ter um olhar mais gentil com as suas falhas e a sua trajetória.

Vale observar os passos que você já deu até então e pensar em formas ainda melhores de viver e se conectar tanto com os seus propósitos quanto com as outras pessoas. Brené Brown confirma que:

Quando estamos vulneráveis é que nascem o amor, a aceitação, a alegria, a coragem, a empatia, a criatividade, a  confiança e a autenticidade. Se desejamos uma clareza maior em nossos objetivos ou uma vida espiritual mais  significativa, a vulnerabilidade com certeza é o caminho. Sei que é difícil acreditar nisso, sobretudo quando  passamos tanto tempo achando que vulnerabilidade e fraqueza são sinônimos, mas é a pura verdade. Vulnerabilidade é incerteza, risco e exposição emocional.

O que você tem deixado de criar para se aproximar de si e dos outros por causa do medo de não corresponder a algumas expectativas? Refletir sobre o que tem atrapalhado a sua jornada pode ser o primeiro passo para alcançar uma vida mais plena, com aquele quentinho no coração que você merece.

Esse post estava na parte de rascunhos há uns dois meses, mas criei coragem de escrever e publicar ele hoje por aqui, e isso é resultado de uma série de reflexões que tive após ler esses dois livros. ❤️ Espero ter ajudado você a refletir sobre a importância da vulnerabilidade para ser mais gentil consigo e praticar a sua criatividade também.

Se cuida, e até mais!

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