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Um dia na praia com minha mãe e a família
Ela sempre segurava minha mão com medo de eu me perder ou não saber nadar
Era mais seguro estar assim com ela
De repente ela puxou minhas duas mãos
E sem querer minhas pernas também subiram
Eu não sabia que isso era possível
Sempre tentava sentar com a coluna ereta, esquecendo que se divertir era melhor que ter postura
Então dei um grito, assustada, sem acreditar
O que poderia acontecer com minhas pernas abrindo assim?
Pareceu, por quase um segundo, que eu podia voar e chegar perto das nuvens que tanto admirava
Depois se torna engraçado, mas na hora foi mais como o susto de uma surpresa inesperada
Eu não fiz balé como minha mãe sonhava
E acabei perdendo um pouco da flexibilidade conforme fui crescendo
A gente se coloca tantas barreiras para ser mais adulta,
que esquece da graça de descobrir um mar de possibilidades no seu próprio corpo
Eu tinha um pouco de vergonha dele, talvez por isso não o conhecesse tanto
Isso foi em outubro de 1995, mas às vezes ainda é assim
e agora eu vejo que só queria sentir o gosto do vento salgado entre os dentes
e os pés experimentando as texturas entre o frio e o calor.

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